13.1.05
Turismo impulsionará economia no Pará
O desenvolvimento do setor de turismo no Pará passa por investimentos feitos nos últimos anos pelo governo estadual. São exemplos a Estação das Docas, Projeto Feliz Lusitânia, modernização do aeroporto Mangal das Garças, que será entregue nesta quarta-feira, 12. Essas obras têm o objetivo de ampliar a atração de turistas com poder aquisitivo. Belém tem vários requisitos que podem ser potencializados enquanto pólo turístico, como um acervo patrimonial e histórico diversificado, que poucas capitais brasileiras possuem - talvez somente Rio de Janeiro, Salvador e Recife dispõem de acervo com potencial semelhante. Belém também pode explorar o turismo ecológico, dada a sua condição urbana original de se situar na porta da floresta e da maior bacia hidrográfica do planeta. "A partir de Belém, pode-se chegar a ilhas e recantos diversificados, como os campos e praias da ilha de Marajó, praias oceânicas como Atalaia e Algodoal ou realizar turismo de selva ou ainda cruzeiros pelos rios amazônicos. É a condição de Belém enquanto entreposto turístico", afirma o professor Valcir dos Santos. Mas ele ressalta que um problema a suplantar seria a concepção das obras patrocinadas pelo governo estadual. Na opinião dele, "a despeito dos elevados investimentos, seguem uma linha de valorização especialmente do passado de opulência da Belle Époque, em uma linha saudosista". Por outro lado, se caracterizam como investimentos pontuais, sem uma maior integração com o restante da economia local, como é o caso da Estação das Docas, que parece mais concorrer com a feira e mercados do Ver-o-Peso e com o centro comercial, do que propriamente integrar o conjunto já existente, conformando um projeto de ‘quase enclave’. Também tem pouca articulação com a cultura local de traços populares, interagindo quase exclusivamente com uma cultura de traço mais elitista. Uma obra que foge a esses parâmetros é o Pólo Joalheiro de São José Liberto, no antigo presídio. De fato, ali pode se observar um verdadeiro centro comercial de produtos artesanais, com sofisticada elaboração e diversificação. No entanto, ainda padece de pouca divulgação. Danilo Remor também acredita que o turismo será um dos grandes eixos da economia da capital paraense no futuro. Ele ressalta a importância da obra do centro de eventos que está sendo iniciada pelo governo do Estado. "Belém tem tudo para ser uma das principais cidades brasileiras na área de turismo empresarial". Mas alerta para a necessidade de obras de infra-estrutura, como no transporte urbano, na segurança e no setor portuário, entre outros. Mas o principal acervo que Belém dispõe, na opinião do professor da UFPA, é o seu acervo cultural. "Belém tem a capacidade de atrair ainda uma vasta e diversificada fauna cultural, que provém dos mais distantes rincões da região amazônica." Um exemplo clássico disso é o Ver-o-Peso, local de encontro, comercialização e troca não só de produtos tangíveis dos mais diversos mas também um mercado de bens simbólicos, onde interagem os mais diversos tipos culturais da Amazônia. Não é a toa que, a despeito da imagem de insegurança que ainda persiste sobre o Ver-o-Peso, é o cartão postal mais visitado e divulgado ante os turistas. Belém é a maior cidade ribeirinha da Amazônia, apesar de expansão desordenada.
Fonte: Gazeta Mercantil
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