23.12.04
Crise no ar: Mercado comporta até 3 aéreas
O mercado brasileiro de aviação doméstica comporta até três companhias regulares de aviação. Essa é a opinião do presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, que defendeu ontem a criação de marcos regulatórios para o setor. "De duas a três [companhias aéreas]. Esse seria um número razoável. Mais ou menos como já é hoje", disse Bologna.A TAM lidera o mercado doméstico, seguida por Varig e Gol. A Vasp, que tinha 1,39% do mercado em novembro, não entrou nos cálculos de Bologna -seu volume de operações tem sido em torno de 18 vôos por dia.Mas, para o executivo, o potencial de crescimento do mercado brasileiro é grande. "Temos 180 milhões de habitantes. E a indústria transporta apenas 34 milhões de passageiros. Como cada um voa três vezes, em média, só 12 milhões voam [ao ano] no país."Justamente por isso, Bologna é contrário à elevação da participação do capital estrangeiro nas companhias aéreas. Hoje, essa participação está restrita a 20%. "Poucos mercados têm uma capacidade de crescimento como o nosso. Talvez só dois mercados tenham esse potencial: América Latina e Ásia", afirmou.Insistentemente questionado sobre a Varig, Bologna respondeu que não tem conhecimento sobre nenhuma medida de recuperação da empresa. Entre as propostas cogitadas para salvar a Varig está a liqüidação extrajudicial da companhia e a transferência de ativos saudáveis para TAM e Gol.Sem mencionar diretamente o nome da Varig, ele disse que "o modelo para o setor não pode ser neoliberal, mas não pode ser intervencionista, estatizado". Ele também não aposta no pior. "Será que alguém quer o colapso [do sistema]? Acho que não. Caso contrário, pode criar um caos."Em vez da Varig, Bologna preferiu falar sobre a necessidade de regulação do setor. "É preciso discutir a regulação do setor."Ele cobrou ainda definição sobre o período de concessão da exploração do serviço de transporte aéreo. Esse tema está em discussão há anos no país. "Qual é o período ideal: 15 ou 25 anos? Tem quem defenda cinco anos."
Fonte: Folha de São Paulo
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